O problema:
O Mar Mediterrâneo está a enfrentar uma crise ambiental através do afluxo de espécies invasoras, principalmente através do Canal de Suez. O peixe-leão (Pteroismiles) é o caso mais urgente, mas definitivamente não o único, de um predador voraz com espinhas venenosas que está a espalhar-se rapidamente, dizimando populações de peixes nativos e ameaçando áreas marinhas protegidas, pescas e turismo. O consenso científico confirma que os esforços nacionais descoordenados são insuficientes contra esta ameaça transfronteiriça.
A nossa visão: Uma resposta pró-ativa pan-europeia ou mesmo pan-mediterrânica Propomos
uma mudança de paradigma da reação fragmentada para a prevenção e gestão coordenadas e baseadas em dados. A nossa iniciativa apela a um quadro da UE que tire partido da tecnologia moderna e do poder dos cidadãos para proteger o nosso património marinho comum.
A solução dos quatro pilares:
Primeiro pilar: Monitorização à escala da UE & Rede de Resposta Rápida
O quê: Criar uma rede de vigilância financiada pela UE, utilizando uma aplicação móvel centralizada e de fácil utilização e uma plataforma para mergulhadores, pescadores, cientistas e até cidadãos regulares comunicarem os avistamentos em tempo real.
Porquê: Os esforços atuais são dificultados por uma lacuna crítica de dados. Tal como demonstrado por estudos recentes (por exemplo, Bottacini et al., 2024; Holmes et al., 2025), a ciência cidadã é um método comprovado e eficaz em termos de custos para rastrear invasões e direcionar recursos de forma eficiente.
Pilar 2: Controlo direcionado em zonas de elevado valor
O quê: Financiar e formar «equipas de remoção rápida» licenciadas para suprimir populações em áreas marinhas protegidas, zonas turísticas e zonas de pesca, utilizando métodos inovadores (por exemplo, armadilhas de porta-moedas, Tosunoğlu et al., 2025).
Porquê: A ciência mostra que, embora a erradicação total seja impossível, os abates específicos podem reduzir as densidades locais em mais de 60 %, protegendo os ativos económicos e ecológicos (Soares et al., 2025).
Terceiro pilar: Capacitar o & Público Criar Mercados
O quê: Lançar programas de formação apoiados pela UE sobre manuseamento seguro e preparação culinária e promover campanhas «Eat the Invader» para incentivar a remoção.
Porquê: A participação do público é crucial para a escalabilidade. A investigação confirma que o peixe-leão é uma fonte alimentar nutritiva e de elevada qualidade (Kotsiri et al., 2025), tornando viável e sustentável uma solução baseada no mercado.
Pilar 4: Abordar a fonte através da diplomacia
O quê: Encarregar a Comissão Europeia de envolver formalmente o Egito e os organismos internacionais (OMI, Convenção de Barcelona) na aplicação e no reforço das medidas de biossegurança no Canal de Suez (por exemplo, gestão das águas de lastro, tecnologias de barreira).
Porquê: A invasão é um processo contínuo. Sem abordar a fonte, as medidas da UE serão apenas uma batalha defensiva sem fim. Este é um imperativo de política externa para a segurança ecológica.
O valor acrescentado da UE
Este é um problema essencialmente transnacional que nenhum Estado-Membro pode resolver sozinho. A UE é o único organismo que pode:
- Criar um sistema de monitorização normalizado em todo o continente.
Financiar e coordenar os esforços de afastamento transfronteiriço.
Aproveitar o peso diplomático para negociar com os parceiros internacionais.
- Assegurar a proteção da sua rede Natura 2000 e da sua economia azul.
Estamos a
construir uma coligação decidadãos, cientistas, ONG e decisores políticos para aperfeiçoar esta iniciativa. Congratulamo-nos com a sua experiência em:
A viabilidade jurídica e técnica das medidas propostas.
Estratégias para a construção de uma coligação cidadã de grande alcance.
Ligações com os principais deputados ao Parlamento Europeu e as direções-gerais pertinentes da UE (ENV, MARE, RTD).
Juntos, podemos virar a maré. Vamos fazer do Mediterrâneo um modelo para a gestão proativa e colaborativa de espécies invasoras.
As opiniões expressas no Fórum ICE refletem exclusivamente o ponto de vista dos seus autores, não refletindo necessariamente a posição da Comissão Europeia ou da União Europeia.

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